Eu e o design
Sempre acreditei que a palavra “design” tem um sentido muito mais vasto do que aquele que aprendi nos meus tempos de estudante.
Talvez seja por isso que ignorei os conselhos de alguns profs. e, em vez de especializar-me e tornar-me muito bom a fazer apenas uma coisa, acabei por trabalhar nas mais diversas áreas da comunicação. Isto porque, para mim o “design” significava experimentar coisas novas, pôr em causa o que se aprendeu, testar novas técnicas, explorar outros caminhos. E nunca sentiria que o estava a fazer verdadeiramente, se me limitasse a utilizar as mesmas ferramentas e fórmulas, dia após dia.
À medida que fui crescendo tomei consciência que, mais do que estabelecer uma relação equilibrada entre a forma e a função, “design” significa acima de tudo resolver problemas. Na verdade, o mesmo tipo de raciocínio e método também podem ser utilizados para gerir projectos, desenhar mecânicas e estratégias, definir posicionamentos, criar modelos de negócio, ou simplesmente gerar ideias loucas tendo em conta as condicionantes que nos são apresentadas.
No entanto, só há pouco tempo é que percebi a verdadeira dimensão da palavra e a responsabilidade que a mesma acarreta. Se é certo que podem ser imputadas aos designers algumas responsabilidades por certos aspectos negativos da sociedade, como o aumento assustador da produção de lixo, provocado em grande parte pelas embalagens e objectos que nós desenhamos, ou como o excesso de consumismo e insatisfação, que é uma consequência directa da publicidade que criamos, também não será incorrecto afirmar que temos o poder e a obrigação de questionar o actual modelo, apresentar novos caminhos, mudar mentalidades.
Hoje, acredito que temos um papel muito importante nas próximas décadas e que a próxima revolução na sociedade vai ser instigada por designers.