Introdução

Decidi começar a escrever o meu livro de memórias aos 47 anos.
Normalmente, é algo que fica para a reforma mas eu optei por começá-lo mais cedo e fazê-lo sem pressas. Tratando-se de um projecto a longo prazo – pois só o pretendo terminar já velhinho – acredito que possa ser uma forma interessante de registar o meu amadurecimento ao longo dos anos.
Decidi colocá-lo para já sobre a forma de blog. Apenas por uma questão de comodidade, para mais facilmente organizar cronologicamente os diversos episódios que fui escrevendo nos últimos anos e que estão dispersos pela web.
Talvez um dia o passe para livro. Ou talvez nunca o faça. O tempo o dirá.

Reconheço que à presente data, não tenho ainda a maturidade necessária para escrever um livro autobiográfico, mas atrevo-me a adivinhar que este tipo de exercício terá para o seu autor uma dupla função: por um lado, deixar um legado, passar as suas experiências de vida e os seus ensinamentos àqueles que lhe são mais queridos e, por outro, diria que de certa forma é um processo de fazer as pazes com o passado. Uma maneira de passar a nossa vida pela peneira, retendo aquilo que interessa e desvalorizando outros aspectos e experiências menos positivos, que por vezes carregamos sem o desejar.

O meu pai sempre me disse que uma das maiores vitórias da sua vida foi ter conseguido perdoar as pessoas que o prejudicaram. Quando o fez, sentiu-se libertado, em paz consigo próprio.
Já o Senhor Silva Gomes – personagem icónica da publicidade portuguesa, com quem tive a possibilidade de trabalhar no início da minha vida profissional – quando decidiu pôr no papel as suas histórias, fê-lo um pouco ao jeito de um “souflé, sem espinhas”.

Pessoalmente, e sem desvalorizar a sabedoria das palavras do meu pai e do Senhor Silva Gomes, gosto particularmente da perspectiva da Madonna: “Quero agradecer a todos os que me fizeram mal ao longo da vida. É graças a eles que cheguei onde cheguei.”

A vida reserva-nos o melhor e o pior.
A nossa felicidade começa em encontrar processos mentais para fazer com o lado positivo pese sempre mais na balança. Por muita dor que a vida nos traga, os períodos de felicidade que nos são oferecidos, por muito pequenos que sejam, têm que ser mais valiosos que tudo o resto.

Assim, seguindo o exemplo das 3 pessoas acima citadas, vou tentar deixar de lado os detalhes de alguns dos episódios que me deixaram marcas negativas, procurando enaltecer sobretudo de que forma esses acontecimentos me fizeram crescer, enquanto ser humano e profissional.